O problema é na sua cabeça

Esse é um post desabafo sobre algumas coisas que passam na minha cabeça. Tenho depressão atípica e isso não me define como ser humano. Não sou rotulada pela tarja do meu remédio e tenho uma vida normal, como de qualquer pessoa. Trabalho em busca da felicidade como qualquer pessoa. Mas existem certas coisas sobre a depressão que eu preciso desabafar, e esse é o único blog que escrevo sozinha.

Muita gente me recomendaria não escrever sobre isso aqui, pelo meu blog e portfolio serem no mesmo site. Mas no meu blog eu quero escrever sobre o que se passa na minha cabeça, meus planos pro futuro e o que eu gosto de fazer. Não quero escrever pautas frias apenas para agradar o robôzinho do Google e ter mais visitas. Não sou um robô. Uma das minhas “missões” é desmistificar a depressão, mostrar que não somos pessoas fracas. E fingir que isso não faz parte de mim seria muito errado.

(Imagem da capa por Kelsey Weaver)

Cada idade tem seus anseios e seus problemas condizentes com aquela idade. Uma criança de 8 anos não deveria se preocupar com problemas do trabalho, e um adulto não deveria ter medo de um fantasma estar se escondendo embaixo da sua cama. Problemas são parte da nossa vida e sem eles, as soluções e momentos de alegria perderiam seu valor. Não existe coragem sem o medo ou alegria sem tristeza. Essa é uma premissa básica da vida da qual todos nós já estamos familiarizados.

Mas o que anda acontecendo com as pessoas ultimamente? Porque depressão, ansiedade e outros problemas estão cada vez mais populares? Todo mundo conhece alguém que tem depressão, é normal saber de alguém que toma remédio tarja preta e a maioria das pessoas sabem (e recomendam) diversos nomes diferentes para medicamentos dos quais elas não tiveram estudo nenhum sobre.

Muitas pessoas dizem que tudo isso é um trabalho longo e delicado da indústria farmacêutica de ter a “fórmula da felicidade” em suas prateleiras. Existe até um glamour secreto dos distúrbios mentais, como se o sofrimento de alguém fosse mais válido pela cor da tarja do medicamento. As pessoas que sofrem desse mal querem ser a super-sofredora, sem motivo aparente. Declarar aos quatro ventos seus problemas e anseios deveria ser na tentativa de ajudar as pessoas ao seu redor. Eu falo abertamente da minha depressão exatamente por isso. Quero que as pessoas conheçam a tristeza “sem motivo”, além do lado artístico, “ele escreve melhor assim”, “seus quadros eram bonitos por causa da depressão dele.” Quero ajudar quem tem depressão e não sabe, quem tem um amigo com depressão e não sabe ajudá-lo e quem acha que quem tem depressão é fraco. Quero ajudar todos a entenderem essa doença, a vê-la de forma clara, sem glamour e sem subestimação.

Não existe glamour na doença, não existe arte nela. A arte está no equilíbrio entre o bom e o ruim, a alegria e a tristeza, a coragem e o medo. A real razão, industria farmacêutica ou não, da popularização de certos distúrbios é a insistência na felicidade plena. Você só será feliz se viajar todo ano, se tiver o corpo do verão, se tiver o carro do ano, se tiver uma família bem estruturada, se tiver um bom emprego, se isso, se aquilo. Minha mãe sempre disse, “por que existe essa pressão pra gente ser bonito e feliz no verão?” Porque sua infelicidade é o solo perfeito pra muita gente lucrar em cima.

O que devemos fazer, pessoas afetadas por essa metralhadora da felicidade, é admitir que somos afetados. Admitir que isso é um problema e que a felicidade plena não existe. Existem momentos de felicidade, e como diria Will Smith em Hitch – Conselheiro Amoroso, “A vida não é quantas vezes você respira, mas sim quantas vezes te tiraram o fôlego”.

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